“Treino em jejum ajuda a queimar gordura” #sóquenão!

Final do ano chegando, férias à vista e todo mundo querendo aquele corpitcho para desfilar na praia, né?

Nessa onda, uma moda tem se espalhado há algum tempo nas academias e nas redes sociais: malhar de estômago vazio ajuda a queimar gordura porque o corpo não terá açúcar para ‘gastar’, então usará a gordura como fonte de energia. Masss… está ERRADO!

 

Fisiologicamente falando, é fato que, durante um espaço muito curto de tempo, o organismo utiliza a gordura como fonte energética quando está em jejum. Porém, como citado, esse processo é bastante limitado e, em poucos minutos de exercício em jejum, o corpo passa a utilizar proteína (sim, do músculo, queimando a massa magra) para conseguir “pegar no tranco”. Quando o organismo está em jejum, ele produz e libera cortisol, que – observe a contradição da moda- inibe a queima de gordura. Resumo da ópera: o praticante do exercício busca redução do percentual de gordura e hipertrofia e, para isso, vai “na onda” e resolve colocar em prática o que ouviu por aí: vai malhar em jejum. Ele não só deixa de perder gordura, como, literalmente, perde justamente o que quer ganhar, que é a massa magra. Além disso, por causa da hipoglicemia gerada pelo jejum, o praticante pode sofrer tonturas, náuseas e até desmaio, interrompendo o treino e não chegando a lugar algum.

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O americano Brad Schoenfeld é um dos mais renomados pesquisadores no mundo e é expert na área de treinamento e composição corporal. Schoenfeld é totalmente contra o treino em jejum para maior queima de gordura, já que, também segundo ele, essa ideia é apenas modismo e não tem fundamento científico.Um de seus estudos científicos foi realizado com 20 mulheres, divididas em dois grupos: um que realizava exercícios aeróbicos em jejum e outro que fazia refeição antes do exercício, ambos os grupos em dieta para perda de gordura com as mesmas características de treinamento. Após 4 semanas de estudo, concluiu-se que não houve diferença significativa na perda de gordura entre os grupos, ou seja, as mulheres que se alimentaram tiveram redução semelhante às que fizeram exercício em jejum. Isso demonstra o quão falha é essa estratégia e, cá entre nós, o quanto esse sofrimento é em vão, afinal, ninguém merece malhar com fome e sem energia!mulher-cansada-treino

A moda do “aeróbico em jejum” ou “AEJ” pegou devido à confusão entre lipólise e oxidação de gorduras. As pessoas acham que a simples quebra de gordura (lipólise) é suficiente para “emagrecer” ou “perder medidas/gordura”. Porém, para que isso ocorra, a gordura precisa também ser oxidada. Durante um curto tempo de exercício em jejum, as moléculas de gordura são quebradas, mas não oxidadas. Após a quebra, elas voltam a ser depositadas no corpo (sim, logo naquele pneuzinho que você está querendo eliminar há séculos!).

 

Resumindo: quanto mais carboidrato você gasta durante o exercício, maior a queima de gordura no pós-treino. Lembre-se desta frase: “a gordura queima na chama do carboidrato”. Isso quer dizer que você precisa ter uma refeição balanceada antes de malhar, com carboidrato suficiente para te dar energia, impedir que você queime a proteína do músculo para executar os exercícios e propiciar queima de gordura após o treino.

Finalizo dizendo o que sempre digo e o que não tem segredo: a alimentação não deve ser sofrida! O equilíbrio é sempre o caminho mais correto para alcançar o sucesso.

 

Fotos: Reprodução

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