Tipos de Parto: entenda e escolha o seu!

Você já ouviu falar em diversos tipos de partos não é mesmo? Parto normal, parto natural, parto domiciliar, parto na água, parto Leboyer, parto sem dor, parto humanizado, parto de cócoras, e assim por diante. Antes de entendermos as diferenças de cada um deles vamos refletir porque e como surgiram essas classificações de que hoje tanto ouvimos falar.

Depois que o parto passou a ocorrer no ambiente hospitalar acompanhado exclusivamente pelos médicos, o parto normal passou a ser feito de forma padronizada: impedimento da participação do companheiro, salas de pré-parto coletivas e sem privacidade, impossibilidade de movimentação, soro com hormônios, intervenções para acelerar o parto, diversos toques vaginais, período expulsivo com a mulher deitada de costas, comandos para fazer força, equipe pressionando barriga da mulher, corte rotineiro na vagina, separação entre mãe e bebê após o parto entre outras.

Esse parto vaginal padronizado que não tem nada de normal passou a ser criticado pelas mulheres de todo o mundo na década de 70. As mulheres buscaram uma forma respeitosa, afetiva, familiar e natural para dar a luz. Foi desse resgate ao parto natural que surgiu as variações que iremos conhecer.

 

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Parto Leboyer

O obstetra francês Frédérick Leboyer preocupado em oferecer um nascimento respeitoso para o bebê, passou a defender uma forma menos violenta ao nascer. Para Leboyer o bebê após nascer precisava do colo da mãe, pouca luz, silêncio, massagem nas costas do bebê, esperar o cordão parar de pulsar para o bebê fazer a transição respiratória de forma mais suave, banho do bebê perto da mãe e amamentação. No entanto seu foco era o bebê, não a mulher. A grande vantagem dessa abertura foi o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê e a facilitação da amamentação precoce.

 

Parto de Cócoras

Na década de 80, em Londres, surgiu o movimento “parto ativo” que estimulava as mulheres, através de aulas de yoga, a participar do parto com liberdade de movimentação, desta forma elas podiam seguir seus instintos e a lógica fisiológica do corpo durante o parto. As posições de parto que as mulheres instintivamente preferiam era a posição vertical e a posição de cócoras durante a fase expulsiva por ser mais rápido e cômodo para elas.

A posição de cócoras é a mais antiga conhecida e traz algumas vantagens para o nascimento: facilidade na passagem do bebê, pois a pélvis da mulher aumenta cerca de 40%, o efeito gravitacional causado, a efetividade do esforço muscular da mulher, o menor tempo de duração da expulsão, facilidade da circulação sanguínea materna comparada a posição deitada, proporcionando melhor oxigenação para o bebê além da participação do companheiro que oferece apoio com seu corpo atrás da mulher. Hoje para ter um parto de cócoras a mulher pode escolher assumir a acocorada livremente ou sentar-se em um banquinho de parto comum entre as parteiras contemporâneas.

 

Parto na Água

Na França o obstetra Michel Odent começou a usar banheira com água quente para aliviar a dor e aumentar o conforto das parturientes. Entretanto algumas mulheres  se sentiam tão bem dentro da água que o bebê nascia ali mesmo. Desde então o parto na água passou a ser estudado e popularizou-se no mundo todo em banheiras nos hospitais ou piscinas infláveis em partos domiciliares. O seu uso traz vários benefícios para mãe e o bebê, o maior deles é o relaxamento que a água morna, geralmente 36-37°C, traz a mulher através do aumento da irrigação sanguínea, diminuição da pressão arterial e o relaxamento dos músculos facilitando a dilatação. Ocorre também uma maior liberação de ocitocina, tanto pelo calor quanto pela inibição da adrenalina. Quanto mais relaxada a gestante estiver menos dor ela sentirá e mais fácil será o parto.

Para o bebê o benefício é uma transição mais suave, pois o bebê já estava em meio ao líquido amniótico à temperatura corporal da mãe. Quanto a respiração, o bebê só respirará a primeira vez quando for trazido à superfície da água, portanto não há risco de afogamento. Depois do nascimento o ideal é o bebê ficar parcialmente dentro da água junto ao corpo da mãe enquanto a cabeça fica fora da água.

 

Parto Sem Dor

Essa proposta de nascimento alega que uma mulher bem preparada para o parto e bem acompanhada durante todo o processo terá muito menos dor do que uma mulher assustada e tensa. A ideia faz sentido, mas convém lembrar que a dor do parto continua existindo, agora sem o sofrimento causado por medo e tensão. Nesse preparo para o parto é proposto treinamento às gestantes onde são utilizados métodos psicoprofiláticos baseado em técnicas respiratórias, de relaxamento, de concentração, entre outras. Os métodos mais conhecidos são Bradley, Lamaze e Hipnobirth. Nada mais são que formas naturais de se lidar com a dor e que tem obtido um grande índice de satisfação das parturientes.

 

Parto Humanizado

A ideia em oferecer um atendimento humanizado no parto é incentivar o protagonismo da mulher no nascimento e promover uma atenção centrada nas escolhas e necessidades individuais de cada mulher. Respeitar as escolhas individuais é o fator principal. Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. Todas as decisões são informadas e baseadas em evidências científicas e o papel da parteira contemporânea seria a de oferecer apoio e respeitar a fisiologia do parto só interferindo se houver real necessidade e com o consentimento da mulher.

 

Parto Domiciliar

A assistência do parto domiciliar é centrada nas necessidades da mulher e garante segurança através do uso adequado da tecnologia disponível para assistência ao parto. As evidências científicas mostram que o parto domiciliar planejado, assistido por profissional qualificado é uma alternativa segura para a grande maioria das mulheres. Os partos domiciliares, quando comparados aos hospitalares, tiveram menor taxa de intervenções médicas com a mesma segurança em relação à mortalidade materna e neonatal.

As mulheres que escolhem ter seu bebê em casa não estão abrindo mão da tecnologia. Muito pelo contrário. Elas vão recorrer à tecnologia, se necessário. Durante todo o trabalho de parto a mamãe e bebê são monitorados periodicamente. Além disso a parteira contemporânea leva todo o material necessário para a assistência adequada, reanimação neonatal e para emergências obstétricas.

A grande vantagem do parto domiciliar é que a mulher em sua casa se sente segura e se mantém tranquila em seu ambiente aconchegante e familiar facilitando assim seu conforto e relaxamento para o trabalho de parto. Essa tranquilidade e segurança permitem que os hormônios do parto possam ser liberados naturalmente facilitando o trabalho de parto. Mas o mais importante são as experiências de satisfação das mulheres que vivenciaram uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.

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