Ejaculação Feminina : Mito ou realidade ?

Mulheres podem ter próstata???

O que você sabe sobre a ejaculação durante o orgasmo???

Será que toda mulher consegue essa proeza???

Século XX

Muitos sexólogos, como Kinsey (1953),  Masters e Johnson (1966)e a psiquiatra, Kaplan (1983),  classificaram  a ejaculação feminina apenas como uma incontinência urinária (mulheres que urinam no momento do orgasmo), lembrando que Freud e seus estudiosos acharam que seria um sintoma de histeria feminina .

Quem descobriu?

O anatomista italiano, Realdo Colombo (1516-1559) se referiu a respeito de ejaculação feminina quando estudou sobre as funções do clitóris.  O estudioso, De Graaf associou a ejaculação feminina a glândulas presentes ao longo da uretra, as quais foram descritas em 1880, pelo ginecologista escocês Alexander Skene (1837-1900), levando seu nome.

Em 1948, um ginecologista americano chamado Huffman publicou um artigo com desenhos detalhados, onde justifica que as Glândulas de Skene são encontradas na base da uretra e seus ramos podem estar atrofiados.

Em 1950, o sexólogo alemão, Ernest Grafemberg (1881-1957) descreveu : “É uma ejaculação  convulsiva de fluídos no apogeu do orgasmo e, simultaneamente com ele. Pode se ver grandes quantidades de um líquido límpido e transparente expelido em esguichos não da vulva, mas da uretra…essas secreções não tem objetivo lubrificador, pois nesse caso seriam produzidos no inicio do coito e não no auge do orgasmo”.

Alguns estudos sugerem duas coisas distintas: produção de um liquido leitoso em pequena quantidade pelas Glândulas de Skene durante orgasmo  (as Glândulas de Skene seriam diminutas glândulas  que desembocam na uretra)  e a emissão de grandes quantidades de fluído durante o orgasmo que seria  urina.

Em 2015, Dr. Samuel Salama, ginecologista de um hospital francês, testou 7 voluntárias, que ejaculavam em jatos  após atingir orgasmo. Essas mulheres urinavam e esvaziavam a bexiga antes do ato sexual, o que era comprovado com ultrassonografia e, após estímulo sexual, novamente faziam ultrassonografia  verificando que rapidamente elas  tinham razoável  quantidade de urina na bexiga. Após o estímulo sexual com orgasmo e após expelirem grande quantidade de líquido eram submetidas novamente a ultrassonografia e verificado que as bexigas estavam vazias.

A análise química da urina mostrou que nas sete mulheres,  o liquido era composto de urina, porém, em cinco delas, havia também traços de PSA  (antígeno prostático feminino), originado da Glândula de Skene.

Floriam Wimpissinger, Viena , Áustria, sugere que a presença ou não da enzima PSA na ejaculação de algumas mulheres pode ocorrer porque as secreções da Glândula de Skene poderiam ir para a bexiga no momento do orgasmo, ou poderia ter algo a ver com o fato de as Glândulas de Skene serem mais ou menos atrofiadas, onde algumas mulheres simplesmente não produziriam PSA pela atrofia glandular.

A quantidade de líquido ejaculado varia desde 20 ml até, em torno de 1000 ml . Acredita-se que a ejaculacão feminina em pequena quantidade, seja apenas líquido prostático e em quantidade maior, seja  urina, com ou sem líquido prostático associado, chamando então de “squirting” ou “gushing”. Refere-se que algumas técnicas sexuais são necessárias como estimulo clitoriano e vaginal ao mesmo tempo , talvez usando um vibrador clitoriano e um dedo intravaginal estimulando o ponto G.

O ponto G é um ponto mais saliente intravaginal abaixo da uretra que seria a projeção da Glândula de Skene no período de excitação . No momento do orgasmo essa glândula se contrai.

Em observações do dia a dia de consultório, recebo  mulheres que referem ejaculação feminina acompanhada de múltiplos orgasmos . Geralmente têm orgasmos vaginais e se queixam de lubrificação excessiva com a reclamação dos parceiros de falta de contato entre o pênis e a parede vaginal. Para essa queixa um bom trabalho de fortalecimentos dos músculos vaginais  é recomendado.

Se considerarmos que apenas 30% das mulheres referem orgasmos vaginais, e em torno de 10% dessas  mulheres referem ejaculação feminina, existem  poucos dados de estudos científicos e trabalhos a respeito desse assunto .Vamos aguardar um pouco mais para esclarecer melhor as mulheres sobre essa questão, porém é necessário que as mulheres que são ejaculadoras, se sintam normais e não com disfunção sexual. Saber exercer a própria sexualidade, achar um parceiro compatível, conviver com as diferenças,  ter e dar prazer, essa é a busca da satisfação sexual com qualidade.  É sempre recomendado procurar um médico especializado em sexologia para tirar suas dúvidas, orientar ou ajudar a fazer ajustes quando necessário!

Beijos!

Dra. Glene Rodrigues

CRM 72019

Ginecologia | Sexologia

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